sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

au-revoir

BEGGININGS

A vida em outro lugar. Termino o ano caminhando pelas ruas de minha cidade natal. Cruz Alta. Eu e os fantasmas. Gente morta cruza a rua. Gente velha que foi nova. Gente nova que é velha. Casas que se foram. Casas que vieram. Mudanças em todos os lugares. Como todo e qualquer lugar, por sinal. Porém, olho para a frente e vejo meu ano novo repleto de grandes incertezas. Terei de reiniciar minha vida. Aliás, como todo o ano impõe. E assim eu fico velho. Talvez reinicie minha existencia, pelas bandas deste rincão. Percebo que os nomes e as famílias fazem e refazem suas muradas. Impenetráveis para os ciganos. E ,cigano sou. Mas, pensando bem, a pior medicina deste país eu já fiz. A medicina do ninguém, no lugar nenhum. Dormi com o diabo. Comi os restos, dos restos, dos restos. Inexistente fui.
É impossível que eu não sobreviva aqui.
( preciso me dar o valor)

sábado, 25 de dezembro de 2010

fidel

SEMPER-FI

A minha vida no nada. Quando se chega ao limbo da realidade, sobram as lembranças. Eu tinha uns 13 ou 14 anos. Cada amigo meu que achava uma namorada, saia de circulação. Compreensível. Porém, eu, Bolinha e Chope eramos a turma do terror. Nenhuma menina teria exclusividade. Nelson Rodrigues que nos espere. Miramos nas babás, empregadas e meninas, digamos, exploradoras. Viu só? Foi assim que me tornei depravado e expulso de todos os meios bem-comportados, ainda na adolescencia. Graças à deus, até agora.
Hoje, Bolinha está cego, Chope anda na margem de alguma lei...e eu(...)
(pornógrafo degenerado, escondido no fim do mundo)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

nordico

NORDICA

A minha vida no Acre. Imagino a vida na Suécia. Não sei bem porque ,mas rola um tchân quando se fala este nome. Explico. Tem a ver com sexo. Muuuuuito sexo. Talvez porque as revistinhas de sacanagem de antanho vinham de lá. Cabeludérrimas. Talvez por causa do nome. Sueca. Pior. Sueco. Pelamordedeus, talvez por causa do liberalismo que dizem que por lá todo mundo é de todo mundo. Mentira e injúria, eu sei. Principalmente, meu leitor, se voce é sueco. Prefiro sueca.
Ainda acho que é o nome.
(sueca, perereca, xereca, sueco, ereto...sejaquideusquizer!)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

universo

COSMOS

A minha vida no Acre. Nos anos que vivi junto aos povos indígenas do rio negro, aprendi a me tornar um ser humano melhor. Primeiro, aprendi que ,desde os primordios do homem, a pergunta é a mesma. Como explicar o universo? Hoje eu vi um episódio na discovery chamado "O universo". Um bando de hiper-PHDzão e mega-PHDzonas tentando responder a mesma pergunta dos Hupdeh, lá do interflúvio do Tiquiés com o Papuri. Convenhamos, minha gente, a lógica é universal para todos nós humanos. Só mudam as ferramentas. Sejam Hubble, satelites ou aceleradores suissos ou uma boa dose de Ipadú. Todos tentando resolver esta coceira irritante que ninguem responde. Não saber, irrita a pele, sabia? Tira o sono e inventa a tal e vã filosofia. Eu, mesmo discrente, pertenço a um mundinho arrogante demais. Ôrra!
Sei-não, mas os hupdeh acharam um geito mais cômodo, neste incômodo.
(deveriam estar no programa... acho eu)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

deserto

ARIDO

A minha vida no Acre. Agora estou absolutamente só.
É insuportável.
(mas, sobreviverei a isto)

sábado, 18 de dezembro de 2010

detalhes

CULTO

A minha vida no Acre. No ano de 1975, aos dez anos, morei e estudei em Los Angeles, por méritos de minha mãe. Lá aprendi a falar, ouvir, escrever e ler , tudo em ingles. Em 1996, com 31 anos, morei em New York alguns meses. Fiquei lá, estudando arte contemporanea. A medicina que se exploda. Vou aprender sobre o ser humano, depois, endividado, volto a ser médico. E convivi na Big Apple com muitos intelectuais. Todos conheciam a obra de Anton Tchekov, principalmente, a famosa Tio Vaniya. Eu ali, calado na minha. Mas eu não sabia nada sobre teatro moderno. Na verdade até arriscava alguns comentarios sobre Ubu Roy ,do Alfred Jarry, pois , deste já tinha lido a peça e alguns ensaios críticos sobre a obra (1916). Mas o que me intriga é que eu tive alguns momentos ,da minha vida, sentado na mesa com muitas cabeças maravilhosas.Aqui e lá. E sigo só. No meio do nada. Pouco adiantou.
Desconfio que investi nas coisas erradas.
(como o Acre, por exemplo)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ophs

EPA!

A minha vida no Acre. Hoje admiti para uma paciente minha que eu errei. Olhando na cara, eu disse, me desculpe, eu errei. Ela tentou resmungar algo como, ainda tem o desparate de dizer na minha cara que errou!
Talvez esta seja a distancia entre os deuses e os homens.
( a distancia entre o honesto e o charlatão).

tiradas

SENTENÇAS

A minha vida no Acre. Algumas tiradas de alguns filmes, marcam. Robert de Niro. Nunca se apegue a nada que não possa abandonar em dez minutos. Outra. Leonardo de Caprio. Qual coisa é mais resistente e se reproduz mais que um virus ou uma bacteria? Uma idéia!
Aqueles que fazem fortunas, tem idéias.
(eu não tenho idéias)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

semente

FEIRA

A minha vida no Acre. Rolou uma feira de eventos por aqui. A escola federal de biologia participou com sapos, rãs, cobras, tartarugas e alguns microscópios com coisas estranhas no campo de visão. Minha mulher viu e pediu que eu visse também. Fui espiar. Espermatozóides. Nadando. Mas espera aí! Quanto tempo este bicho vive após lançado ao mundo? Muito pouco, acho eu. Onam que o diga (vide bíblia, onanismo, sementes ao chão, pecado). Então sobra a hipótese. Mas, seria possível? Sei-não. Vejamos. "Oh, Godofredo, quer tirar dez em citologia? É fácil, meu filho, só tem que ficar na barraquinha enchendo os potinhos...Oh, profi, o Godô tá reclamando que já encheu seis potes e não guenta mais...Querida Michelle, o que faremos então?...Sei-lá, eu até posso dar uma ajudinha...Bem ,minha querida, neste caso a amostra poderá ser do professor mesmo".
E a população lá, esperando Godôs, PHD's e células da mucosa oral.
(cara ,o bicho nada feito louco, procurando por Michelles)

domingo, 12 de dezembro de 2010

visagem

ASSOMBRADO

A vida no Acre. A vida em qualquer lugar. Na minha infância havia um quarto da casa que era assombrado. Verdade. Na sua, não? Que pobreza! Um quarto assombrado é uma relíquia. Sabe como é? Almofadas voam, cortinas andam e alguém lambe sua orelha. No meio do sono. É tri-fodal. Mas também é tri-legal. Meu pai era ateuzão, hiper-mega. Um dia desceu a escadaria da casa em pavorosa ,desconcertante, balbuciando... a almofada voou! A almofada voou! Outra ocasião eu vi, e juro de pé junto, que a cortina andou. Tentei explicar que uma barata havia se enroscado na bainha do tecido carapento, decrépito, que toda a casa assombrada tem. Doce ilusão. Doce assombração.
Uma parte da minha vida foi numa casa solitária.
(cheia de vidas, fantasmas e surpresas)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

obsceno

NÀO-LEIA

Queridos. Vou escrever sobre intimidades. Cuidado, principalmente se a moral e os bons costumes lhe convém. Vai rolar uma pequena baixaria aqui. Quer desistir? Desista, agora. Mas se não desistiu até agora, fazer o que? Leia. Meu bilau. Está horroroso! Carapento como as mãos de Oscar Nyemeyer ou o pescoço do Plentz. Voce não conheceu o Plentz? Sabe aquele papo de perú? Pois bem, meu bilau está todo cheio de marcas do tempo, impressas na chapeleta. Bem verdade que não é um bilau rodado. Curtiu seu tempo nos anos 70,80, sem AIDS. Muito menos camisinha. Uma perebinha ,vez que outra. Lembro bem de algum amor rolando em contato direto, com sensação térmica e tátil, imediata, sem látex. Desconfio que foi aí que emperebou e virou a cara do Mickey Rourke. Não esteve em mais de, digamos, 20 cavidades. Estou com 45. Mas foram cavidades variadas. Humanas. Todas. Não me interpretem mal. E digo mais, cavidades femininas, todinhas! Mas o bichinho esta ficando enrugado, manchado.
Pedindo um upgrade. Merecia uma foto. Tratamento com cremes...
(na piscina ele flutua, sem gravidade, livre, dorminhoco...orgulhoso)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

cabum

QUEDA
A minha vida no Acre. Hoje voltando do interior do Acre, com a motoca, caí. Putz! Tudo que está no norte cai pro sul. Isto Newton já sabia. Roubei esta tirada do Belchior. Mas tudo bem. Caí mesmo. Beijei o barro. Ninguem saiu aos pedaços ,exceto alguns nacos de pele. Mas desconfio que esta queda era efeito da gravidade. Sei-não. Realmente, acho que Newton está na minha vida. Ele só não está para aqueles que se encontram no centro do universo. Duvido que alguém caia em Nova York, Paris, Londres, Porto Alegre. Duvido-e-o-dó. Eu estou bem longe. No excentrico Acre. Latitude, inexistente. Longitude ,longe demais. E agravidade lá, me puxando.
Era o sul me chamando.
(numa deformidade do espaço)

domingo, 5 de dezembro de 2010

ride

EASY

A minha vida no Acre. A minha vida está desabando. Lembra um filme de Woody Allen. Desconstruindo Henry. Desconstruindo Oscar. E para fugir de mim, viajo. Estou em mais uma viajem pelo interior. Ao lado do meu quarto de hotel está rolando um bingo. A última cartela vai premiar um boi, um quadro e um coturno militar.
???
(o que o fiofó tem à ver com as calças?)

sábado, 4 de dezembro de 2010

sabe-sabe

VEJAMOS

A minha bela vida no Acre. U2. Voce sabe o que é isto? Ou, o que foi, isto? Sim, isto mesmo. Um avião norte-americano de espionagem que pairou sobre a estratosfera da Russia e Cuba nos idos dos anos 60. Alguns acabaram abatidos. O caso mais famoso foi do piloto americano resgatado em solo russo qual tinha expressas ordens para se suicidar com uma agulha de cianureto grudada em uma moeda de um dollar. Acho que foi 1961. Antecipo, ele não se suicidou. E vazou um monte de baboseiras ultra-espionicas que acabaram sendo trocadas por algum bailarino espião soviético que foi pego cheirando calcinhas no Carneghy Hall. Mas voce sabe quem foi e quem é U2? O outro U2? Só eu não sei. Pois bem. ""The Playboy Mansion"". Voce conhece, com certeza. Bono Vox canta: ""If Coke is a mistery, Michael Jackson, history. And beauty is true. And surgery, the fountain of youth. What am I to do? How to get the gift that leads me through? The gates of the mansion ( soa aos ouvidos, demention)"". Sacou né? Os portões da demência.
Um pequeno trocadilho em inglês, que refaz a lógica evidente.
(the gates of the the playboy mansion... talvez nem Caetano saboreou tanto)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

cuidado

CURVA
A minha vida no acre. Curva de Gauss. Não sei bem quem foi o tal do Gauss. Imagino que foi um matemático alemão. O conceito da afamada curva é que uma amostragem qualquer gera um padrão que se acumula no centro, dando uma forma de corcova de dromedário. Porém algumas amostras não se encaixam no meio, na média. E ficam nas pontas. Vejamos. Se a amostra estiver mais para as bandas da cabeça, deve ser uma amostra acima da média. Por outro lado, as amostras que ficam no outro extremo estão mais pro lado do fiofó do camelídeo. Boa coisa não deve ser. Mas a sociedade contemporânea usa em tudo a tal curva. E assim se formam os médicos, os engenheiros, os advogados, odontólogos, pesquisadores, embreagens e flaps de avião.
Temo por aqueles que ficam nas pontas. Insisto. Fred Astaire foi reprovado no seu primeiro teste de hollywood. O Fred, cara! Albert Einstein, ficou no escritórios de patentes, burocratérrimo, por anos à fio, sentado na patente, enquanto revolucionava a física. Einstein, meu! Eu, por exemplo, estou nas bandas da bunda do ruminante aquafílico. Estou no Acre, grameando. Eu e os dromedários. Mas cuidado. Se voce se identifica com este blog, tome tento!
Pode cair um cocô em sua cabeça.
( uma sociedade não cresce sendo mediana)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

2012

END

A minha vida no Acre. Segundo o calendário dos maias, o mundo tem data para acabar. Talvez seja neste ano novo de 2011, pelo menos para mim. Este mês, minha mulher e meus filhos vão embora do Acre. Voltam para Porto Alegre. Eu fico mais um pouco para fazer algum dinheiro e me preparar para a selvageria que me espera noutros cantos deste Brasil. Não sei como será. É preciso saber mudar. Coragem para sempre enfrentar o novo. Olho adiante e vejo um deserto. Sem horizonte definido. Uma eterna solidão. Bebendo o suco das pedras.
Vida de cigano.
(já se vão 20 anos assim)