PILOTO
A vida no Acre. A vida na amazonia. Lembro de meus barqueiros do alto rio negro. Pilotos de lanchas naquelas águas caudalosas. Quase que todos eram indígenas. Seu Eugenio, Anacleto,Clécio, Antonio Sapateiro, Carlos Costa, Dadinho Tukano, Felipe Bebum, seu Delgado, Benvindo, Antonio Oribe e outros maestros das águas corredeiras do distante começo do Rio Negro. Lá nas bandas da Colombia. Muitos vividos nas matas escondidas e seus refinos ilícitos, que nada mais eram que ganho de vida. Muitos sofridos. Hoje, alguns mortos. No alto rio Waupés nunca suba sem o Eugenio, águas traiçoeiras que já mataram muitos padres. No medio Tiquiés jamais sem o Dadinho Tukano. Se quiseres um bom naufrágio, inevitável, nas águas do Içana, ali pelas beiradas da cachoeira de tunuí, Felipe Bebum ou seu Clécio. Pau para toda obra, seu Delgado e um bom gole de cana. Mas nunca, nunca suba o rio Papurí sem Antonio Oribe, Tukano de primeira linhagem nascido em Jandiá.Michael Schumacher do rio que divide a Colombia do Brasil. Nunca afundou comigo. Não creio haver rio de corredeiras pior.
Passamos nossos apertos.
(sobrevivi)
PS: Adeus, Benvindo, que a terra te seja leve!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário